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:: Sala das Profecias ::
Defesa do par Harry e Gina
Bem, mas o nosso assunto hoje é a defesa do par Harry e Gina. Vou me basear principalmente no artigo “What's Life Without a Little Romance?”, de Kelli Kearney.
O artigo começa observando que Harry e Gina se encontram pela primeira vez na plataforma de King’s Cross e depois, quando o trem parte, Harry fica observando Molly acenar e Gina correr atrás do trem meio rindo meio chorando. King’s Cross é um lugar importante para J.K. Rowling, pois foi lá que seus pais se conheceram. Em um documentário, ela disse que considera aquela estação um lugar muito romântico por causa do encontro de seus pais e que esse foi um motivo para ela querer que Harry fosse para Hogwarts de trem.
Em Câmara Secreta, mostra-se que Gina tem uma paixonite por Harry e não consegue agir com naturalidade diante dele: enfia o cotovelo na manteiga, derruba coisas e fica calada (embora normalmente seja bem falante, segundo Rony). Harry tem uma atitude bacana diante do xodó que a menina tem por ele, não implica nem caçoa, simplesmente finge não notar o seu embaraço.
O artigo menciona que a maneira de Gina ser descrita é sempre favorável: ela tem cabelos brilhantes, olhos e rosto também. Palavras que não precisariam ter sido ditas, mas que estão lá. Isso não quer dizer que já haja interesse amoroso de Harry em relação a Gina. Ele só tem doze anos. Mas demonstra que a primeira impressão que tem da aparência física da garota é favorável, ao contrário das primeiras descrições de Hermione (cabelos muito cheios, dentes da frente meio grandes - PF, p.94) e de Luna (cabelos sujos, mal cortados, olhos saltados - OF, p.155).
E a primeira vez que Gina aparece falando é quando ela enfrenta Draco para defender Harry na Floreios e Borrões. Nesse momento, ela esquece a timidez e enfrenta corajosamente um garoto maior que ela, mostrando sua coragem e força de caráter.
Quando Harry a salva, ele fica preocupado com os sentimentos dela. Não quer denunciá-la para Rony nem para os seus pais e fica sem saber como abordar a questão do diário de Riddle para Dumbledore. Fica preocupado com a possibilidade dela ser expulsa. Vemos assim que, apesar de haver pouquíssima interação entre Harry e Gina no livro, há de ambas as partes uma preocupação com o outro e uma forte atitude de proteção mútua.
Em Prisioneiro de Azkaban Gina fica novamente por trás dos panos. Continua ficando sem jeito na frente de Harry, talvez ainda mais do que antes, “talvez porque o menino lhe salvara a vida no ano anterior” (PA. p. 56). Mas, Rowling nos reserva um breve momento de cumplicidade entre eles, quando tentam esconder o riso pelo jeito de Percy correr atrás de Penélope na plataforma nove e meio.
Em Cálice de Fogo, ainda há menção ao xodó de Gina por Harry, mas já aparece um desenvolvimento sutil do personagem. Ela já fica menos embaraçada ao conversar com Harry, como na cena em que comentam o nome de Píchi. Também aqui ela já enfrenta a mãe pelos gostos ultrapassados desta, com relação à aparência de Gui.
No geral, Gina fica bem por trás dos panos de novo em Cálice de Fogo, a não ser pela cena em que estão discutindo quem vai com quem ao Baile de Inverno. Harry conta a Rony que convidou Cho Chang, mas ela não aceitou. Gina ouve e de repente pára de sorrir. Em seguida ela toma as dores de Hermione, confirmando que a amiga já tem um acompanhante para o baile, mas se recusa a dizer quem ele é, demontrando lealdade e capacidade de guardar segredo. Em seguida diz que não pode ir com Harry, pois já aceitou o convite de Neville e sem ser convidada ela não poderia ir ao baile. Ela parece “infelicíssima” ao dar essa notícia. Perdeu a oportunidade de ir ao Baile com Harry. Mas, apesar de ainda estar interessada em Harry, mostra ter bom caráter e não volta atrás em relação à promessa feita a Neville.
É em Ordem da Fênix que Gina finalmente aparece como realmente é. Superado o xodó que sentia por Harry, pode conversar normalmente com ele. A primeira vez que ela aparece no livro já é completamente diferente dos livros anteriores, ela vem até ele, o cumprimenta animada e diz que ouviu sua voz (OF, p.61). Ela é descrita pela sua longa juba de cabelo vermelho, que é uma descrição mais benevolente do que a dos cabelos lanzudos de Hermione (na verdade, no original inglês, a diferença é mais perceptível). Harry ainda gosta de Cho, na ocasião, mas a aparência de Gina não lhe é desagradável.
Na mesma cena, Gina é chamada de irmã mais nova de Rony, reiterando que é assim que Harry a vê. Ela é a irmã de seu amigo, com quem não tem uma relação própria. Afinal a conhece muito pouco. Mas agora que ela perdeu a timidez diante dele, as coisas podem mudar. Começamos a perceber muito melhor a verdadeira personalidade da garota.
Primeiramente na cena do trem, quando encontram Luna, Gina não deixa que Neville se humilhe. Quando ele diz que não é ninguém, ela o contesta e o apresenta à amiga, mostrando capacidade de encorajar os amigos.
Depois ficamos sabendo que ela superou o xodó por Harry, já tem um namorado e pode agir com ele como amiga. Por outro lado, não parece haver nenhum traço de constrangimento pelas atitudes passadas que teve diante dele, quando ainda tinha o xodó. Ela é capaz de aceitar a si mesma e às suas atitudes infantis do passado e não tem vergonha do que fez, o que é uma atitude madura.
Ela tem também um humor espirituoso e inteligente, o que nos é mostrado, por exemplo quando imita Umbridge no Cabeça de Javali e faz todo mundo cair na gagalhada (p. 286).
Há duas ocasiões em que ela supera Cho, como se fossem pequenas dicas do que virá. A primeira é quando estão escolhendo o nome para a AD. Cho propõe AD, sigla para Associação de Defesa, mas é Gina quem dá a última palavra, mantendo AD, mas propondo que seja Armada de Dumbledore, provocando gargalhadas e aceitação. A segunda é quando captura o pomo de ouro bem debaixo do nariz da Cho, no jogo contra Corvinal.
Uma cena particularmente importante é no Largo Grimmauld, quando Harry se isolara dos amigos, com medo de ser a arma de Voldemort. Hermione consegue falar com ele e conta que os outros disseram que ele estava se escondendo de todo mundo. Harry reage olhando para Rony e Gina. O amigo desvia os olhos, mas a garota o enfrenta impassível (p.408). E lembra que ela já foi possuída por Voldemort e poderia tê-lo ajudado a saber se foi isso o que ocorreu com ele também. As palavras dela acabam fazendo muito bem ao rapaz.
Reparem na atitude dela. É capaz de ficar brava com Harry, mas de uma maneira assertiva, sem agressividade ou violência. Não passa a mão na cabeça dele, tampouco, nem deixa que fique com pena de si mesmo. Na verdade, é muito diferente da menina mimada ou impulsiva que costuma aparecer em fanfics (comentário meu e não do artigo).
Mais de uma vez ela mostra que enfrenta Harry com calma, ela tem controle sobre suas emoções (um outro exemplo é quando ele está contando aos seus amigos o que pensa estar ocorrendo a Sirius). Harry faz uma bobagem, ela fica brava, Harry pede desculpas sinceras, ela deixa a braveza de lado e o ajuda.
Eles têm bastante em comum. Voldemort em suas mentes é uma parte disso, mas também a habilidade e o prazer que encontram no quadribol. Harry a considera uma boa jogadora.
Outra cena importante entre os dois é a da biblioteca, quando ela o procura para lhe entregar os ovos de páscoa enviados pela mãe. Ela logo percebe que ele tem problemas e pensa que são problemas com Cho. Mas dá espaço para que ele se abra com ela, pensa no problema com cuidado (p. 531, numa frase que foi suprimida da tradução brasileira) e acaba ajudando-o a encontrar um jeito de falar com Sirius. Pela segunda vez ela lhe traz alívio e esperança.
Outra coisa interessante acerca desta passagem é que Harry já estava nervoso com o problema há uma semana e ninguém tinha conseguido ajudá-lo, inclusive Rony e Hermione. Ele tinha até mentido para a amiga, para não ter que falar de sua decepção com o pai. Mas Gina, sem pressioná-lo, consegue realmente ajudá-lo.
Enfim, Rowling parece ter Gina em alta conta e agora a está colocando mais à frente dos acontecimentos, embora lentamente. Ela é inteligente, espirituosa, confiante, leal, defende os amigos, tem iniciativa, guarda segredos, sabe enfrentar Harry e colocá-lo em seu lugar. Enfim, tem muitas das qualidades que Harry precisaria encontrar numa parceira.
Agora que Harry já desencanou de Cho, o caminho está livre. E Harry tem a bênção de Rony, como vimos na viagem de volta no trem.
Originalmente, eu tinha planejado usar também o artigo “Ginny Weasley, Why?”, de Water Witch , mas me dei conta de que este último é mais uma defesa da idéia de que Gina ainda cumprirá papel muito importante na série do que uma defesa do ship. De qualquer maneira, quase todos os seus argumentos principais estão presentes também no artigo já resenhado.
A única coisa, que talvez valha a pena colocar aqui é que este último artigo chama a atenção para o modo meio furtivo com que Gina é abordada nos primeiros livros. Ela está lá, é irmã do Rony, é possuída por Voldemort, é salva por Harry. Todos esses aspectos deveriam levar-nos a conhecê-la e julgá-la importante. No entanto, parece que se constróem formas da gente não notar sua importância. Sua paixonite por Harry faz com que a conheçamos muito menos do que aos seus outros irmãos que estão em Hogwarts. A importância da ligação que se estabelece entre bruxos quando um salva a vida de outro só é colocada um livro depois de Harry salvá-la e num contexto totalmente diferente (falando de Rabicho), de modo que nem ligamos a questão a Gina. Ou seja, o que o artigo coloca é que parece que a Rowling está querendo disfarçar a importância futura de Gina. Se ela se juntasse logo ao trio, o que seria perfeitamente possível, já que logo fica amiga de Hermione e a diferença de idade entre eles é pequena, nossa atenção estaria colocada nela cedo demais.
Bem, a próxima coluna possivelmente será sobre o outro possível romance para Harry, que seria Luna. O problema é que não há artigos tão bons defendendo essa idéia. Aceito sugestões (Talvez, porém, eu escreva antes sobre as capas recém divulgadas para o livro seis.).
De qualquer modo, como não haveria muito o que dizer, aproveitarei para fazer um balanço do que eu própria achei dos argumentos levantados até aqui. Desisti de falar de Rony/Hermione, para não ficar ainda mais desbalanceado contra Harry/Hermione. O personagem principal é mesmo Harry. Assim pelo menos, em todos os artigos abordados, o tema tem sido as necessidades e possíveis interesses amorosos do Menino-que-sobreviveu.
Março de 2005
Por Lilyp
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